GNR
Há quase vinte anos que o Grupo Novo Rock começou a sua carreira. Mas os GNR nunca perderam a sua identidade e foram por isso recompensados com a melhor prenda que uma banda pode pedir: a fidelidade do público.
Desde 1981, foram inúmeras as alterações no alinhamento do grupo, as desavenças, polémicas e os típicos altos e baixos. A banda começou com Toli César Machado, Vítor Rua e Alexandre Soares, a quem se juntaria Rui Reininho a tempo de participar no primeiro álbum "Independança", de 1982. Nesse ano, quando mal haviam começado, os GNR quase acabaram. Conflitos vários fizeram com que a banda chegasse a actuar em Vilar de Mouros com apenas três músicos, Reininho, Toli e Rua, e este último viria a sair depois de não conseguir acabar com o projecto. Superada a crise, o grupo continuou com dois álbuns à altura do primeiro: "Defeitos Especiais" e "Os Homens Não Se Querem Bonitos" (1984 e 1985), embora a pop ocupe cada vez mais um espaço que em tempos pertencia ao experimentalismo. Hinos como "Dunas" já faziam parte da história do rock nacional, aproveitando bem o caminho desbravado por Rui Veloso.
Em 1986 os GNR já se podiam gabar de terem esgotado a Aula Magna, e "Psicopátria" mostra uma banda pronta a levar o rock português às costas se necessário para não o deixar morrer. Mesmo à custa de polémicas, como atesta o EP "Video Maria" (1988), banido de muitas "Playlists" com medo de ir para o Inferno. Quem mostra não ter medo de nada são novamente os GNR, que em "Valsa dos Detectives" voltam a mostrar sinais de evolução. Agora, todos os músicos compõem para a banda, e a diversidade fica a ganhar. Depois de tantas conquistas, que desafios restavam? Os concertos e o seu registo para a posteridade. "In Vivo", álbum duplo, é um desafio aos fãs, que correspondem em grande e fazem deste álbum de 1990 um sucesso estrondoso, onde se encontra toda a história do grupo e algumas versões inesquecíveis (como "Runaway", de Del Shannon ou "Apache", dos Shadows).
Mostrando novamente uma coragem sem precedentes, os GNR dão seguimento ao sucesso de "Rock In Rio Douro" com o primeiro concerto de estádio encabeçado por portugueses. Canções como "Sub-16" dirigiam-se a uma geração que mais tarde se chamaria "rasca", enquanto "Pronúncia do Norte" afirmava o orgulho nas origens. Ingredientes perfeitos para motivar 40 mil pessoas a deslocarem-se a Alvalade para um concerto inédito. Um ano depois, em 1993, o feito seria repetido no Estádio das Antas, a "casa" dos GNR. Seguir-se-ia "Sob Escuta", em 1994, e um descanso tão raro quanto merecido.
Quando muitos especulavam sobre a continuidade dos GNR, eles voltaram à carga, incansáveis como um "Mosquito" que não pára de atacar, mesmo quando se pensa que já morreu. Mostrando uma maturidade inigualável, os GNR, ainda liderados por Reininho, disseram com esse álbum que a última página do seu livro ainda estava para ser escrita. A comprová-lo está "Popless", de 2000, primeiro disco para o novo milénio, mas que mostra a energia da banda intacta. A ironia do grupo está mais sagaz do que nunca, e a continuidade assegurada.